quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Recomendações aos Jovens Teólogos e Pastores - Helmut Thielicke



Por Jairo Visintainer


THIELICKE, Helmut. Recomendações aos Jovens Teólogos de Pastores, São Paulo, Editora SEPAL, 1990. Nasceu em 4 de dezembro de 1908, em Wuppertal e faleceu em 5 de março de 1986, em Hamburgo, teólogo protestante alemão e reitor da Universidade de Hamburgo de 1960 a 1978, autor de diversos livros na área teológica e acadêmica.


O professor Johann Tobias Beck, em suas aulas, costumava fugir um pouco dos assuntos acadêmicos transformando o local em púlpito. Esta técnica de afastamento do ritualismo acadêmico, é perfeitamente compreensível pelos alunos como reforço, apesar da distinção dos conteúdos ensinados. A ideia é ver os alunos como almas confiadas aos seus cuidados. O autor começa seu livro como uma meditação do que acontece com as vidas dos alunos durante o curso de Teologia.







O cristão comum teme a Teologia, alertado pela ideia (senso comum na igreja) de que é perigoso tratar a Bíblia com ferramentas cientificas, tentando explicar todos os seus pontos obscuros, ou ainda contra os riscos de ter um professor descrente. Este cristão comum não crer nem pensar de tratar a Bíblia com outros recursos além da sua fé. Alerta para que o estudante não se sinta diferente, como se participasse de um grupo de “iniciados”, discriminando a ingenuidade do crente comum e enchendo-se de orgulho. Se o crente comum tem receio da Teologia é porque já teve alguma experiência negativa neste sentido.

Com o argumento da experiência, ilustrado com a vida de um jovem vocacionado que decidiu estudar Teologia e na sua volta para casa, após o primeiro semestre, aos olhos de seus conhecidos, sofreu uma terrível transformação, e relata as duras críticas do jovem teólogo para com um amigo leigo. Após o terceiro semestre, quando volta ao lar, seu amigo já nem se atreve a se pronunciar diante de tanta sabedoria! O jovem cristão é esmagado pela roupagem argumentativa do jovem teólogo, mesmo em conversas informais. Diante disso poucas igrejas se sentem encorajadas a valorizar a teologia acadêmica. Sem querer caricaturar o autor cita duas causas para amenizar a situação do jovem teólogo argumentando que este, apesar de não ser inocente teologicamente, ainda não atingiu a maturidade cristã e pode muitas vezes se apaixonar por ideias emprestadas, aconselhando ao jovem teólogo a ficar calado durante esta imaturidade.

Numa discussão hipotética de um estudo bíblico, um jovem estudante de Medicina, exitante, comunica suas dúvidas e objeções críticas, ao que, os jovens teólogos sentem-se desafiados e com termos e jargões técnicos atropelam o estudante. Consideram-se vencedores diante da inércia do desafiador. Na verdade perderam a oportunidade de conquistar o estudante e pela dureza de suas respostas, o afastam para a companhia de seus colegas pagãos, por não serem tão duros ou incensíveis. O autor procura deixar claro que está tentando mostrar que não é contra o estudo teológico acadêmico, sua intenção é evidenciar o problema da “puberdade teológica”.

Esta imaturidade pode perfeitamente indicar a existência de alguma doença que desperta uma espécie de orgulho agnóstico. A verdade e o amor dificilmente andam juntos, e a alegria do saber pode matar o amor. O desdém do estudioso de teologia diante das pessoas, por mais simples que sejam, demonstra vaidade, falta de humildade e desprezo triunfalista, chegando até mesmo a vanglória de possuir a “verdade”, mesmo a custa de “bancos vazios”.

Os irmãos nas igrejas defendem nada menos que os “princípios reformados”: fé ou escrituras. Suspeitam que a teologia pode, com a acréscimo do conhecimento histórico ou científico, enfraquecer a fé, alegando que a Bíblia basta, e que não pode haver meio termo entre a fé a razão. O verdadeiro cientista sempre colocará sua pesquisa sob a ótica de seus estudos e conclusões, sanbendo que se novas descobertas forem feitas tudo pode mudar. A Teologia não deverá servir de último argumento para a pregação mas deverá contribuir em pé de igualdade. A igreja tem o direito de nos questionar, mesmo quando não pode ou não consegue entender os detalhes de nosso trabalho. Os questionamentos da igreja devem ser levados em consideração e nunca permitir que o orgulho impeça que dúvidas sejam sanadas sob a argumentação de que o “povo” não estaja a altura de tal conhecimento.

Voltando a experiência conceitual ou experiência de primeira mão, onde o telólogo toma posse de conceitos e ideias alheias como se fossem suas é possível também ser enfeitiçado pelos ensinos dogmáticos, deixando de lado a vida ao lado de Cristo. Tenha cuidado com o que vai te impressionar. Você pode subitamente substituir os ensinamentos de Jesus pelos dos grande heróis da fé. Cuidado com a fé.

Tenha uma vida de oração, mantenha-se ligado a Deus e procure ouvir suas respostas, evite falar com Deus na terceira pessoa. Evite a religiosidade e reflita na relação com Deus. A Teologia que não é espiritual é falsa. Teologia sagrada ou diabólica depende das mãos e corações envolvidos. Seja espiritual e mantenha a comunhão cristã. Se o teólogo não ler a Bíblia com frequência acima da média e aproveitar ao máximo as oportunidades de pregação e ensino bíblico, se tornará espiritualmente doente.

O autor foi muito feliz nas ilustrações e conceitos utilizados em seu livro. Fez com que nós, futuros teólogos, possamos refletir no tempo certo sobre os perigos que nos esperam.

Este livro serve como um aviso para que tomemos cuidado com aspectos da teologia que muitos, nesta fase, nem sequer imaginam que irão passar. As recomendações aqui aprendidas podem nos fazer refletir para a importância da humildade, oração, respeito, consideração para com os irmãos, nos alertando a estar sempre atentos para não nos desviarmos de nossos objetivos.


obs: Livro indicado pelo amigo e Pastor Sandro Baggio o qual foi de grande valia assim como uma das melhores exortaçoes que tive nessa área. Indicadissimo para todos que querem ler livros mais academicos e ou estudar teologia.

Um comentário:

verinha maria disse...

Esse foi o primeiro livro que estou lendo desde que comecei fazer o curso , acho que foi o melhor momento...pois ja deu pra identificar personagens na minha propria sala...
Pra mim um grande aprendizado de humildade e sabedoria para caminhos seguir.

vera Lucia
Escola Teologia Betim- MG