quinta-feira, 12 de maio de 2011

Como ler Gênesis – Tremper Longman III


Como ler Gênesis – Tremper Longman III – Editora Vida Nova

Alguns amigos já haviam comentado muito bem sobre essa obra, porem, parece que, quando não estamos muito interessados em um tema específico, qualquer leitura pode se tornar chata e cansativa. Li “COMO LER GÊNESIS” pela primeira vez logo quando o comprei em 2009 porem, fiz uma leitura rápida e bem mecânica, o que não me deu a mesma impressão que tenho da obra hoje.

Tremper Longman III pareceu-me bastante confiável e claro, além de demonstrar uma erudição bem peculiar e capacitada para a temática, pois o mesmo é PhD em estudos do Oriente Próximo e velho testamento. Para os liberais de plantão, já digo que ele é conservador, teologicamente falando.

Essa obra quebrou alguns dos meus paradigmas, ajudando-me a ler Gênesis com outro olhar. A menos que tenhamos uma mente claramente despida de nossa visão de mundo de hoje, iremos errar a interpretação do conteúdo literário, teológico e histórico de Gênesis.

Uma coisa muito interessante nesse livro é a reflexão do autor sobre a sociedade na qual o escritor de Gênesis se baseou ao escrever essa obra. Muitos cristãos protestantes, e até católicos, caem na armadilha de ler Gênesis com um olhar científico moderno. Como se ‘inspiração’ fosse o mesmo que ‘psicografia espírita’. O autor crê que a Bíblia Sagrada é a palavra de Deus inspirada. Assim, fica bem claro que ela é inspirada por Deus, mas escrita dentro de um contexto humano e social, o que faz dela um livro que contém de tudo. Assim, Deus inspirou homens a escrever suas histórias, fatos e poesias que nos conduzem a uma vida com ele hoje.

Segundo o autor, Gênesis foi escrito dentro de uma cultura politeísta que adorava os astros como o sol, a lua, a natureza e afins. O autor de Gênesis (não sabemos quantos foram, mas tudo indica que foram dois) apresenta o texto sagrado como sendo resposta apologética a essa cultura politeísta. Se, por um lado, o povo adorava o sol, a lua e os fenômenos da natureza, o autor dizia: meu Deus criou o céu e a Terra. Imagine você o choque que isso trouxe àquela sociedade! Até então, adoravam o que não era de fato Deus. Aí vem alguém e diz: o que vocês adoram, foi o meu Deus quem criou poderosamente.

Outro erro, que eu já sabia, mas que preciso contar aqui para que meus amigos e irmãos saibam, trata-se de ler Gênesis como texto científico. Como se o autor precedesse Darwin para saber que um dia alguém proporia a teoria da evolução e que Deus já teria proposto a teoria da criação. Não! Nada disso!!!! Gênesis não é texto científico e nem tinha como alvo defender uma teoria científica da criação, ainda que o auge do texto seja “DEUS CRIOU TUDO”.

Enfim, posso fechar essa pequena resenha dizendo que essa obra foi de grande ajuda para que alguns de nós de fato entendamos que, sendo a bíblia inspirada, não significa que ela não tenha que ser interpretada, ou que ela não tenha gênero literário ou propósito em cada um de seus livros. Para exemplificar, seria como ler Provérbios como se fosse uma epístola, ou Gênesis como se fosse crônica. Seria um baita erro. Quando respeitamos o tipo de literatura, nossa leitura passa a ser bem mais clara e lúcida.

Como dica para os mais fundamentalistas entre os que visitam esse blog, quero dizer que Santo Agostinho, um dos pais da Igreja, já dizia sobre a natureza literária de Gênesis, em “Comentário de Genesis”. Livro escrito muitos anos antes de Darwin e que propunha que deveríamos lê-lo totalmente dentro do seu contexto literário e não forçando um olhar histórico em tudo, mas observando o que de fato o livro quer nos ensinar tanto histórica como teologicamente.

Eduardo Vaz
http://eduardovaz.blogspot.com

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