domingo, 14 de fevereiro de 2010

Havia Morte Antes de Adão?

Por Dr. John Ankerberg e Dr. Norman Geisler

Tradução: Juliana Cambiucci Pereira

Os defensores [do Criacionismo] da Terra Nova[1] negam que haveria morte antes da queda de Adão. Eles afirmam que a Bíblia declara que a morte veio apenas após Adão como resultado do seu pecado: “da mesma forma como o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram” (Rom. 5:12; cf. 8:20-22).

Dr. Geisler responde dizendo que há vários problemas nesse argumento. Primeiro, Romanos 5:12 não diz que todos os animais morrem por causa do pecado de Adão, mas que apenas “todos os homens” morrem como conseqüência. Segundo, Romanos 8 não diz que os animais morrem como resultado do pecado de Adão, mas que apenas a criação “foi submetida à inutilidade” como resultado disso (v.20). Terceiro, se Adão comia qualquer coisa – e ele tinha que comer para sobreviver – então ao menos as plantas deveriam morrer antes do seu pecado. Quarto, e finalmente, a evidência de fósseis indica que os animais morriam antes dos humanos morrerem, de modo que o homem se encontra no topo do Estrato Geológico (mais recente), e os animais então em níveis inferiores do Estrato (mais antigos).

Deixe-me acrescentar alguns pensamentos adicionais aos que o Dr. Geisler escreveu:

Romanos 5:12 diz: “Portanto, da mesma forma como o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram”. Aqui aprendemos:

1) Através do ato de rebelião de Adão o pecado entrou no mundo.

2) A morte resultou do pecado – mas para quem?

3) A morte se difundiu por todos os homens.

4) A morte se difundiu por todos os homens porque todos pecaram.

5) Note, não diz que a morte se difundiu para todos os animais – e sim para todos os homens.

6) Além disso, que tipo de morte o Apóstolo Paulo fala? Lembre-se a Bíblia descreve 5 tipos de morte:

a) Morte física – a morte do corpo (Tiago 2:26)

b) Morte espiritual ou separação de Deus (Rom. 6:23; Ef. 4:18).

c) Morte eterna - a segunda morte (Ap. 20:14).

d) Morte para a lei (Rom. 7:14).

e) Morte para o pecado (Rom. 6:12)

Em Romanos 5:12, o Apóstolo se refere primariamente a “b” – morte espiritual. Genesis 2:15-17 nos diz o porquê:

O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo. E o Senhor Deus ordenou ao homem: ‘Coma livremente de qualquer árvore do jardim, mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá.

Deus disse especificamente para Adão e Eva que no dia em que eles comessem do fruto proibido eles certamente morreriam. Eles morreram fisicamente naquele dia? Não. Depois de pecarem, Adão e Eva continuavam caminhando. De fato, Adão viveu 930 anos de idade. Eles cultivaram a terra e tiveram filhos.

A morte especificada em Gênesis 2 e 3 por Paulo, em Romanos 5 deve ser a morte espiritual. Quando Adão pecou, ele instantaneamente “morreu” como Deus tinha dito. Ele permaneceu vivo de forma física, mental, voluntária e emocional, mas espiritualmente ele morreu. Isto é, o homem quebrou sua companhia harmoniosa com Deus e iniciou sua inclinação ou propensão ao pecado (seu lugar apropriado abaixo de Deus). Esta é a chamada “Doutrina do Pecado Original” (não um pecado em particular, mas a tendência inerente ao pecado entrou no reino humano quando o homem se tornou pecador por natureza).

Considerando:

1) A morte pelo pecado a que Paulo se refere não é equivalente à morte física. Se fosse, Adão e Eva teriam fisicamente morrido no dia em que comeram da árvore. A Bíblia fala primeiramente da morte espiritual resultando do pecado.

2) Apenas os humanos mereceram o título de “pecadores”. Apenas os humanos podem sofrer a morte através do pecado. Animais não pecam e não são chamados de pecadores na Bíblia. Além disso, não é oferecido aos animais o presente da vida eterna se eles se arrependerem.

3) A morte que Adão experimentou está cuidadosamente qualificada pelo Apóstolo Paulo em Romanos 5:12. Ele escreveu “a morte veio a todos os homens” – não para todas as plantas e animais – apenas para seres humanos.

Note também em Romanos 5:18 “Conseqüentemente, assim como uma só transgressão resultou na condenação de todos os homens, assim também um só ato de justiça resultou na justificação que traz vida a todos os homens.” Aqui, Paulo fala sobre a queda do homem, sua morte espiritual e separação de Deus e a salvação de Deus através da morte de Cristo para conceder a salvação que pode encobrir o pecado de todos os homens. Eles devem receber esse presente pela fé em Cristo.

4) Além da morte espiritual, o homem se tornou mortal, sujeito às misérias dessa vida, e excluído da possibilidade de existir fisicamente para sempre. Em outras palavras, como resultado da Queda, Deus condenou Adão a uma expectativa de vida limitada e ao fato certo da morte física no futuro. Deus retirou o acesso à árvore no jardim que dava a Adão e Eva o potencial para a vida física eterna. Como sabemos? As Escrituras nos dizem em Genese 3:22-24.

Então disse o Senhor Deus: "Agora o homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal. Não se deve, pois, permitir que ele tome também do fruto da árvore da vida e o coma, e viva para sempre". Por isso o Senhor Deus o mandou embora do jardim do Éden para cultivar o solo do qual fora tirado. Depois de expulsar o homem, colocou a leste do jardim do Éden querubins e uma espada flamejante que se movia, guardando o caminho para a árvore da vida.

Aparentemente, Adão e Eva tinham o potencial para a vida física eterna antes, e mesmo após pecarem. John MacArthur comentou em seu Estudo da Bíblia em relação a esses versos:

Deus disse ao homem que ele certamente morreria se comesse da árvore proibida. Mas a preocupação de Deus também pode ter sido de que o homem não vivesse para sempre em sua condição lamentável e amaldiçoada. Tomado no contexto mais amplo da Escritura, expulsar o homem e sua esposa do jardim foi um ato de graça misericordiosa prevenindo-os de serem sustentados para sempre pela árvore da vida.

Novamente, antes da Queda, Deus fez provisões para Adão e Eva sustentarem suas vidas físicas para sempre; mas após desobedecerem a Deus, não apenas lhes sucedeu a morte espiritual imediata, como também Deus os amaldiçoou e lhes disse que iriam, um dia, morrer fisicamente por terem sido excluídos da árvore da vida.

Em Gênesis 3:17-19 está escrito: “E ao homem declarou: ‘Visto que você deu ouvidos à sua mulher e comeu do fruto da árvore da qual eu lhe ordenara que não comesse, maldita é a terra por sua causa; com sofrimento você se alimentará dela todos os dias da sua vida. Ela lhe dará espinhos e ervas daninhas, e você terá que alimentar-se das plantas do campo. Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, visto que dela foi tirado; porque você é pó, e ao pó voltará’.”

Todos os Cristãos acreditam que quando Adão e Eva pecaram, trouxeram a morte espiritual imediata e a certeza da futura morte física. Os Cristãos também acreditam que o pecado original veio à existência naquele tempo. Além disso, Cristo é o único meio para a condição pecaminosa do homem. Mas os fatos não autorizam que os Cristãos creiam que a vida animal e vegetal morressem apenas após Adão e Eva pecarem.

Mas como a Queda afetou a natureza? Qual é o significado de Romanos 8:20-22, onde isso se expressa: “Porquanto a criação ficou sujeita à vaidade [futilidade], não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que também a própria criação há de ser liberta do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, conjuntamente, geme e está com dores de parto até agora;”

As palavras “futilidade” ou “vaidade” referem-se à inabilidade de alcançar um objetivo ou propósito. Toda a criação é personificada para ser, como foi, esperançosa pela transformação de sua maldição e seus efeitos. Por causa do pecado do homem, Deus amaldiçoou o universo físico e agora nenhuma parte da criação realiza inteiramente o propósito original de Deus.

Alguns interpretam esse verso dizendo que o pecado de Adão conduziu para dentro da criação todo o tipo de deterioração natural, dor e morte. Eles supõem que a lei da entropia que descreve a diminuição da ordem no universo, não tinha efeito até o pecado de Adão e Eva. Baseado nessa hipótese, o tempo entre a criação do universo e a queda de Adão e Eva deve ser breve para explicar por que as evidências físicas não mostram nenhum período em que a deterioração e a morte não estavam em operação.

Mas existem vários problemas com essa interpretação. Primeiro, se alguém sustenta a hipótese do dia de 24 horas, em que Deus levou seis dias para criar tudo, então, de acordo com Romanos 8:22, “toda a criação” deve incluir o universo e todas as estrelas. Mas se assim for, as estrelas não brilharam após o primeiro dia? Os físicos insistem que as estrelas estavam brilhando e que a entropia estava ocorrendo naquele ponto. Se esse for o caso, então a deterioração estava presente desde o primeiro dia.

Como o Dr. Hugh escreveu em The Genesis Question [A Questão de Gênesis]:

Quando consideramos que a segunda lei da termodinâmica é essencial para a existência da vida, essencial para a alimentação, mobilidade e outras atividades incontáveis que a maioria de nós concorda ser agradáveis e boas, não vemos razão para sugerir que a lei deve ser julgada como ruim. As leis da termodinâmica foram incluídas quando Deus declarou Sua criação como “muito boa” (Genesis 1:31).

Devemos ser cuidadosos, porém, para não confundir a criação muito boa de Deus com Sua melhor criação, ou mais especificamente, o objetivo final para Sua criação. Na nova criação não haverá leis da termodinâmica – nenhuma deterioração, nenhum frustração, nenhum gemido, nenhum sofrimento (veja Apocalipse 21:1-5). As leis da termodinâmica são boas, apesar do “sofrimento”, da “frustração” e “gemidos”, porque elas são parte da estratégia de Deus para preparar Sua criação a aproveitar as bênçãos e recompensas da nova criação.

Então, se Adão e Eva fizeram algum trabalho no Jardim, então uma perda de energia e uma certa quantidade de deterioração estava presente. Por quê? Porque o trabalho é essencial para a respiração, circulação do sangue, contração muscular e digestão do alimento. Esses são todos processos que virtualmente sustentam a vida. Adão estava trabalhando, supervisionando o Jardim do Éden (Gen. 2:15) antes de pecar. Então, Romanos 8:20-22 não poderia indicar que o pecado de Adão iniciou todo o processo de deterioração.

Quando Paulo se refere ao “gemido” da criação, a que outros efeitos da maldição ele se refere? Poderia ser que em Genesis 1:28 Deus ordenou ao homem que supervisionasse o ambiente, mas como o homem pecou, o ambiente foi arruinado. O efeito do homem no ambiente é aproximadamente análogo ao resultado de mandar uma criança de 2 anos de idade arrumar o armário. Deixado de lado, o armário se tornará menos arrumado devido à tendência natural à decadência e à desordem. Entretanto, tipicamente, a criança de 2 anos de idade irá apressar o processo de decadência e desordem. Isaias 24:5 descreve a destruição do planeta que resulta da insubordinação do ser humano a Deus. Da mesma forma como se deve esperar que uma criança de 2 anos cresça um pouco antes que ajude a arrumar o armário, a criação também espera que a raça humana experimente os resultados de Deus subjugar o problema do pecado.

Mesmo os pais da Igreja, como Orígenes, que viveram de 185 a 254 d.C., interpretaram Romanos 8:20-22 indicando que a decadência estava em vigor no mundo natural desde a criação do universo. Visto que Orígenes precedeu a descoberta científica das leis da termodinâmica e entropia (que inclui o princípio da decadência) por centenas de anos, está claro que ele não surgiu com sua interpretação como resultado de uma tentativa de adaptação às modernas teorias científicas de seu tempo.

Existem outras razões que nos dizem que a dor física e a decadência devem ter existido antes da Queda? Sim. Em Gênesis 3:16 Deus disse à Eva “Multiplicarei grandemente a dor da tua conceição; em dor darás à luz filhos.”. Ele não diz “introduzir”. Ele diz, “aumentar” ou “multiplicar”, implicando que deve ter havido alguma dor em qualquer caso.

Como Philip Yancey mostrou tão claramente em seu livro Onde está Deus quando chega a dor? (Editora Vida), alguma dor é boa. É bom que quando eu coloco minha mão no fogo, a dor me avise do perigo. Se a dor não estivesse ali, não saberia que meus dedos estariam queimando. A dor é a maneira de Deus evitar que destruíssemos nós mesmos. Adão e Eva certamente tinham que usar o tato e podiam sentir dor no Jardim antes da Queda. Eles deveriam ter um sistema nervoso que os protegessem que qualquer perigo em seu ambiente no Jardim. Eles deveriam ser capazes de sentir a picada de uma abelha, ou que estavam se envenenando ou de serem furados por um espinho. Quando Adão e Eva pecaram, As conseqüências e o risco da dor e sacrifício não começaram, eles simplesmente aumentaram.

Enquanto o pecado que nós seres humanos cometemos causa naturalmente em nós uma reação negativa à decadência, ao trabalho, à morte física, à dor e ao sofrimento, e enquanto tudo isso está ultimamente ligado de alguma forma aos planos de Deus para conquistar o pecado permanentemente, não há nada nas Escrituras que nos force a concluir que nenhuma dessas entidades existiram antes do primeiro ato de rebelião de Adão contra Deus. Por outro lado, a revelação de Deus através da natureza fornece evidências decisivas de que alguns desses fatores existiram por um longo período antes da criação de Adão.

A Morte dos Animais: Como isso se relaciona com a Expiação?

Outra questão que emerge é esta. Se os animais morriam antes da Queda, isso não afeta a doutrina bíblica de Expiação? Alguns citam Hebreus 9:22, que diz, “De fato, segundo a Lei, quase todas as coisas são purificadas com sangue, e sem derramamento de sangue não há perdão.” Eles interpretam esses versículos para dizer que “A base da mensagem do evangelho é que Deus trouxe morte e derramamento de sangue por causa do pecado. Se a morte e o derramamento de sangue de animais (ou do homem) existissem antes de Adão pecar, então toda a base da expiação – a base da redenção – é destruída.”

Mas essa é uma interpretação bíblica defeituosa. Embora seja verdade que não há remissão de pecado sem derramamento de sangue, o sangue de Cristo, não segue necessariamente que todo sangue derramado é para a remissão do pecado. Dizer que não houve derramamento de sangue antes do pecado é cometer os mesmo erros de interpretação bíblica feita por aqueles que reivindicam que não houve tempestade antes do Dilúvio de Gênesis.

Hebreus 10:1-4 explica que o sangue dos animais sacrificados não eliminará o pecado. O sacrifício pela morte de animais foi um retrato físico da morte espiritual causada pelo pecado, que necessitava da morte como um substituto para a expiação, bem como o prenúncio do último sacrifício eficaz que Deus, ele mesmo, um dia providenciaria. Desde que a pena para o pecado é a morte espiritual, nenhum sacrifício de animais poderia sequer reparar o pecado. O crime é espiritual, então a expiação tinha que ser feita por um ser espiritual.

O derramamento de sangue antes de Adão pecar não afeta ou prejudica, de nenhuma maneira, a doutrina da Expiação. Sustentar esta doutrina central não exige de forma alguma um cenário de criação em que nenhuma das criaturas de Deus recebeu um arranhão ou um sangramento de ferida antes do pecado de Adão e Eva. Mesmo em um ambiente natural ideal, os animais seriam constantemente arranhados, picados, machucados e mesmo mortos uns pelos outros e por eventos acidentais.



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[1] Nota do Editor: Existem diversas interpretações para o significado de “dias” em Gênesis 1. O autor deste artigo critica a interpretação defendida pelos Criacionistas da Terra Nova, os quais afirmam que o mundo foi criado em seis dias literais de 24 horas.

O artigo original em inglês está no site do Ankerberg Theological Research Institute.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Quando Cosmovisões Colidem: C.S.Lewis e Freud

Dr. Armand Nicholi é professor da Escola de Medicina de Harvard há 20 anos. Ele também ministra um curso popular na Universidade de Harvard sobre as cosmovisões contrastantes de Sigmund Freud e C.S.Lewis.



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C.S. Lewis e Sigmund Freud: uma comparação de seus pensamentos e de suas visões sobre a vida, a dor e a morte.
O seguinte artigo é adaptado de uma preleção do Dr. Armand Nicholi em uma reunião de alunos e professores promovido pela Dallas Christian Leadership na Southern Methodist University em 23 de Setembro de 1997. A parte dois aparece na The Real Issue de Março de 1998 e aborda a mudança de cosmovisão de Lewis e sua conversão

As cosmovisões de Sigmund Freud e C.S. Lewis, ambas predominantes na nossa cultura hoje, apresentam interpretações diametralmente opostas de quem nós somos, nossa identidade, de onde viemos, de nossa herança cultural e biológica e de nosso destino. Primeiro, vamos arrumar as bases para nossa discussão fazendo três perguntas. Quem é Sigmund Freud? Quem é C.S.Lewis? E o que é uma cosmovisão?

Poucos homens influenciaram mais a estrutura moral de nossa civilização do que Sigmund Freud e C.S. Lewis. Freud foi o médico Vienense que desenvolveu a psicanálise. Muitos historiadores colocam suas descobertas ao lado das de Plank e Einstein. Suas teorias proveram um novo entendimento sobre como nossas mentes funcionam. Suas idéias permeiam diversas disciplinas incluindo a medicina, literatura, sociologia, antropologia, história e o direito. A interpretação do comportamento humano no direito e na crítica literária é profundamente influenciada pela suas teorias. Seus conceitos estão tão permeados na nossa linguagem que nós usamos termos como repressão, complexo, projeção, narcisismo, ato falho e rivalidade fraterna sem sequer nos apercebemos de sua origem.

Devido ao inegável impacto de seu pensamento na nossa cultura, os estudiosos se referem a esse século como o "século de Freud". Por que isso? À luz do que sabemos hoje, Freud é continuamente criticado, desacreditado, e difamado; ainda assim sua figura continua a aparecer em capa de revistas e artigos de primeira página em jornais como o The New York Times. As recentes pesquisas históricas intensificaram o interesse nas controvérsias em torno de Freud e seu trabalho. Como parte de seu legado intelectual, Freud defendeu veementemente uma filosofia de vida secular, materialista e ateísta.

Apesar do fato de C.S.Lewis ter conquistado reconhecimento intelectual muito antes de sua morte em 1963, seus livros acadêmicos e populares continuaram a vender milhões de cópias por ano e sua influência continua a crescer. Durante a Segunda Guerra Mundial, os pronunciamentos de Lewis no rádio fizeram sua voz a segunda mais reconhecida na BBC perdendo apenas para Churchill. Nos anos que se seguiram, a foto de Lewis apareceu na capa da Times e outras revistas importantes.

Hoje, a grande quantidade de livros pessoais, biográficos e literários sobre Lewis, o grande número de sociedades sobre C.S.Lewis em universidades; os periódicos e jornais sobre C.S.Lewis; como também o recente filme e peça sobre sua vida confirmam o sempre crescente interesse nesse homem e na sua obra. Como um jovem membro da universidade de Oxford, Lewis mudou de uma visão secular e ateísta para uma espiritual; uma cosmovisão que Freud frequentemente atacava, mas a qual Lewis abraçou e definiu em muitos de seus escritos após a conversão. Tanto Lewis quanto Freud possuíam dons literários extraordinários. Freud ganhou o prêmio Goethe de literatura em 1930. Lewis, que ensinou em Oxford e foi catedrático de Literatura Inglesa na Universidade de Cambridge, produziu alguns dos maiores criticismo literários e possui uma grande quantidade de livros acadêmicos e de ficção vastamente lidos.

Cosmovisões conflitantes.

Agora, sobre a questão da definição de "cosmovisão". Em 1933, numa preleção chamada "A questão da Weltanschauung," Freud definiu cosmovisão como "uma construção intelectual que resolve todos os problemas de nossa existência, uniformemente, sobre o fundamento de uma hipótese dominante."

Todos nós, quer nos apercebamos ou não, temos uma cosmovisão; temos uma filosofia de vida, nossa tentativa de fazer nossa existência ter sentido. Ela contêm nossas respostas às principais questões que dizem respeito ao sentido de nossas vidas, questões que nos perturbam em algum período de nossas vidas, e que nós frequentemente pensamos apenas quando acordamos às três da manhã. O resto do tempo que estamos sozinhos nós temos o rádio e a televisão ligados que impedem que fiquemos sozinhos com nós mesmos. Pascal dizia que a única razão de nossa infelicidade é que nós não conseguimos ficar sozinhos num quarto. Ele alegou que nós não gostamos de confrontar a realidade de nossas vidas; a condição humana é tão basicamente infeliz que nós fazemos de tudo para nos distrair de pensar nisso.

O vasto interesse e permanente influência das obras de Freud e Lewis se originam nem tanto de seus estilos literários singulares, mas mais do apelo universal que tem as questões que eles trabalharam; questões que permanecem extraordinariamente relevantes às nossas vidas pessoais e à nossa crise social e moral contemporânea.

A partir de visões diametralmente opostas, eles falaram sobre questões como, "Há sentido e propósito para a existência?" Freud diria, "Certamente não! Não podemos nem, do nosso ponto de vista científico, abordar a questão de se há ou não sentido para a vida." Mas ele afirmaria que se você observar o comportamento humano, perceberá que o principal propósito da vida parece ser a conquista da felicidade e do prazer. Assim Freud delineou o "principio do prazer" como uma das principais características de nossa existência.

Lewis, por outro lado, disse que o sentido e propósito são encontrados na compreensão do porquê estamos aqui em relação ao Criador que nos fez. Nosso propósito principal é estabelecer um relacionamento com esse Criador. Freud e Lewis também discutiram as fontes da moralidade e da consciência. Todos os dias nós acordamos e fazemos uma série de decisões que nos sustentam ao longo do dia. Essas decisões são geralmente baseadas no que nós consideramos que é certo: o que nós valorizamos, nosso código moral. Decidimos estudar com afinco e não usar as idéias de outras pessoas, por que de alguma forma isso é parte de nosso código moral. Já Freud disse que nosso código moral vem da experiência humana, como nossas leis de tráfego. Nós fazemos os códigos por que eles são convenientes para nós. Em algumas culturas você dirige na esquerda, em outras você dirige na direita.

Mas Lewis discordaria disso. Ele disse que apesar das diferenças culturais, há um código moral básico que transcende a cultura e o tempo. Essa lei não é inventada, como as leis de tráfego, mas é descoberta, como as verdades matemáticas. Então, Freud e Lewis tinham um entendimento completamente diferente da fonte da verdade moral.

Lewis e Freud também falaram sobre a existência de uma inteligência além do universo; Freud disse "Não", Lewis disse "Sim". Suas visões os levaram a discutir o problema dos milagres na era científica. Freud alegou que os milagres contradizem tudo que aprendemos através da observação empírica, eles não ocorrem de fato. Entretanto, Lewis perguntaria; "Como sabemos que eles não ocorrem? Se há alguma evidência, a filosofia que você trás para interpretar a evidência determina como você interpretará." Então, de acordo com Lewis, nós precisamos entender se nossa filosofia exclui os milagres e, portanto, afeta nossa interpretação da evidência.

Tanto Freud quanto Lewis falaram muito sobre a sexualidade humana. Freud considerava todo tipo de amor uma forma de sexualidade sublimada, até mesmo o amor entre amigos. Lewis disse que qualquer um que pense que a amizade é baseada em sexualidade nunca teve um amigo realmente.

Eles também discutiram o problema da dor e do sofrimento. Freud era extremamente perturbado por esse problema, e Lewis escreveu alguns maravilhosos livros que ajudam a explicar o problema do sofrimento que todos nós experimentamos. O Problema do Sofrimento [Editora Vida] é uma discussão bastante intelectual da questão. Quando a mulher de Lewis morreu, ele escreveu Anatomia de uma dor [Editora Vida], que eu recomendo enfaticamente. As pessoas da minha área dizem que esse é o melhor trabalho sobre o processo de luto.

E, é claro, ambos discutiram o que Freud chamou de "O doloroso mistério da morte". Mas eu voltarei a isso mais tarde. Cada uma das questões que eu abordei são filosóficas por natureza. É significante notar que os trabalhos filosóficos de Freud tiveram mais influência na secularização da cultura do que seus trabalhos científicos. Eu vou discutir dois desses temas.

Deus em Questão

Primeiro, a existência de uma inteligência para além do universo, o que os cientistas modernos chamam de "A questão de Deus". Norman Ramsay, professor de física de partículas em Harvard, ganhou o Prêmio Nobel de Fìsica em 1989. Ele me disse recentemente que mesmo em seu campo, os cientistas tem se tornado interessados na questão de se há ou não uma inteligência para além do universo. Ele disse que é uma área de interesse relativamente recente para eles e que tem sido provocada principalmente pela aceitação da teoria do Big Bang. Eu repliquei dizendo que eu não entendi bem a relação. Ele disse, "Bem, quando acreditava-se que o universo não tinha começo era mais fácil, pois ninguém tinha que se preocupar com o que veio antes. Mas desde que alguém aceita a idéia de que o universo teve um inicio num ponto especifico do tempo, tem que pensar também sobre o que ocorreu antes. Então os físicos agora estão pensando sobre questões que somente teólogos e filósofos pensaram no passado."

Ao olharmos para o mundo ao nosso redor, nós fazemos uma de duas suposições: ou vemos o mundo como um acidente e nossa existência neste planeta como uma questão de pura chance, ou presumimos alguma inteligência para além do universo que não só provê ao universo um desenho e ordem, mas também provê sentido e propósito à vida. Como vivemos nossas vidas, como terminamos nossas vidas, o que percebemos, como interpretamos o que percebemos, tudo é formado e influenciado consciente ou inconscientemente por uma dessas duas suposições básicas.

Tendo isso em mente, Freud dividiu todas as pessoas entre "crentes" e "descrentes". Descrentes incluem todos aqueles que se consideram cínicos, céticos, escarnecedores, agnósticos ou ateus. Crentes incluem o resto, cuja crença varia desde um mero assentimento intelectual de que há algo ou alguém além deste mundo até aqueles como Lewis, Agostinho, Tolstoy e Pascal que tiveram uma experiência transformadora depois da qual sua fé se tornou o principal princípio motivador e organizador de suas vidas.

Freud foi de encontro, clara e enfaticamente, à noção de que há "Alguém" além deste mundo. Ele descreve sua cosmovisão como secular e a chama de "cientifica", e ele alegou que não há nenhuma outra fonte de conhecimento do universo que não seja "a cautelosa observação, o que chamamos de pesquisa." Logo, nenhum conhecimento, ele disse, pode ser derivado de revelação ou intuição. Ele afirmou que a noção do universo criado por um ser "parecido com o homem mas exaltado em cada aspecto, um super homem idealizado, reflete a grotesca ignorância dos povos primitivos." Ele afirmou que nenhuma pessoa inteligente pode aceitar os absurdos da cosmovisão religiosa.

Freud descreveu o conceito de Deus como uma simples projeção do desejo infantil de proteção por um pai todo-poderoso. Ele acrescentou que "a religião é uma tentativa de controlar o mundo sensorial, no qual estamos situados, por um mundo que desejamos que é desenvolvido dentro de nós como um resultado de anormalidades biológicas e psicológicas."

Ele concluiu que a visão religiosa é "tão patética e absurda e... infantil que é humilhante e vergonhoso pensar que a maioria das pessoas jamais se sobreporão a isso." Apenas por um breve período quando era estudante sob a orientação de um brilhante filósofo chamado Franz Brentano, um crente devoto, Freud duvidou de seu ateísmo, mas ele afirmou que continuou descrente pelo resto de sua vida. Um ano antes de sua morte, Freud escreveu para Charles Sanger, "Nem na minha vida privada nem nos meus escritos eu deixei em segredo o fato de ser um completo descrente."

Quando examinamos o relato cuidadosamente nós descobrimos que Freud talvez não estivesse tão certo de seu ateísmo quanto ele proclamava. Certamente ele se referia a si mesmo frequentemente como "um Judeu infiel" e ele rejeitou completamente a visão religiosa do universo, especialmente a visão Judaico-Cristã. Ele certamente atacou essa visão com todo seu poderio intelectual e de todas as perspectivas possíveis. Mas ainda assim, por alguma razão ele permaneceu ocupado com estas questões; ele simplesmente não conseguia deixá-las de lado. Ele passou os últimos trinta anos de sua vida escrevendo sobre tais questões.

Num estudo autobiográfico ele disse que essas questões filosóficas e religiosas o interessaram por toda sua vida desde sua juventude. Um grande número de evidências revelam que a cosmovisão de Freud não o deixavam confortável. A fé, de forma alguma, era caso concluído para ele, e ele era extremamente ambivalente quanto à existência de Deus.

Anna Freud, filha e Freud que faleceu há alguns anos atrás, me explicou a única forma de conhecer seu pai: "Não leia suas biografias;" ela instruiu, "leia suas cartas." Por todas suas cartas, Freud faz afirmações como, "Se algum dia nós nos encontrarmos lá em cima", "minha única, e secreta oração," e afirmações sobre a graça de Deus. Durante os últimos trinta anos de sua vida, Freud manteve uma constante troca de centenas de cartas com o teólogo Suiço, Oskar Pfister. É interessante notar que sua correspondência mais longa foi exatamente com este teólogo. Ele admirava Pfister e escreveu, "Você é um verdadeiro servo de Deus... que sente a necessidade de fazer um bem espiritual para todos que você encontra. Você fez isso por mim também." Ele, posteriormente, disse que Pfister estava, "na honrosa posição de poder levar homens à Deus."

Será isso apenas formas de expressão? Poderíamos dizer isso de qualquer um, menos de Freud, que alegava que mesmo um ato falho da fala tem um sentido.

O Problema da Dor e do Sofrimento

Eu tenho estudado os escritos de Freud como também suas cartas por muitos anos e eu concluí que o principal obstáculo que Freud tinha com a idéia de um ser inteligente além do universo era sua incapacidade de conciliar um Deus bom e todo-poderoso com o sofrimento que todos nós experimentamos em certa intensidade. Numa carta para Pfister, em 1928, Freud escreveu, "E por último, deixe-me ser indelicado. Como diabos você concilia tudo que experimentamos e esperamos nesse mundo com sua suposição de um ordem moral mundial?" E depois, numa preleção em 1944, ele disse: "Não parece ser o caso de haver um poder no universo que observa o bem-estar dos indivíduos com cuidado paternal e dirige seus interesses em direção à um final feliz. Pelo contrário, os destinos da raça humana não podem ser harmonizados nem com a hipótese de uma benevolência universal nem com a parcialmente contraditória hipótese de justiça universal. Terremotos, tsunamis, complicações que não fazem nenhum distinção entre os virtuosos e piedosos e os imorais e descrentes. Mesmo quando o que está em questão não é a natureza inanimada, mas quando o destino individual depende de suas relações com outras pessoas, não é de maneira alguma a regra de que o mal é punido e o bem recompensado. Frequentemente são os espertos e impíos que usufruem das boas coisas do mundo e o piedoso não usufrui de nada. São poderes obscuros, insensíveis e sem amor que determinam nosso destino. Os sistemas de recompensas e punições, que a religião descreve como governo do universo, parece não existir." Eu me pergunto quantos de nós pelo menos uma vez não nos sentimos assim. Freud parecia não estar ciente, é claro, de que na cosmovisão Biblíca o governo do universo está temporariamente em mãos inimigas. Antes de Anna Freud falecer, eu lhe perguntei sobre a dificuldade de seu pai com o problema do sofrimento, e ela expressou grande curiosidade em relação a isso. Num determinado momento ela me disse, "Como você explica o sofrimento no mundo? Há alguém lá em cima que diz, 'Você terá câncer. Você tuberculose', e distribui adversidades?" Eu disse que não sabia exatamente como responder à pergunta, mas eu sei que ela respeitava Oskar Pfister. Eu disse que pessoas como Pfister descreveriam a presença de um poder maligno no universo que é responsável por parte do sofrimento. Anna pareceu interessada nessa noção e voltou frequentemente a ela na nossa conversa. Devemos lembrar que Freud sofreu consideravelmente em sua vida, emocionalmente como um Judeu crescido na profundamente Católica Viena, e fisicamente com o câncer intratável na boca com o qual ele lutou por dezesseis anos de sua vida. Os procedimentos médicos não eram bem desenvolvidos na época e o causaram uma grande dose de dor física. Então precisamos ter isso em mente quando tentamos entender como ele se sentia. C.S.Lewis, ao longo da primeira metade de sua vida, também se descreveu, como Freud, como um "completo descrente". Se Freud duvidou de sua descrença quando estava na faculdade, Lewis se regozijava na sua descrença quando estudante em Oxford. Ele expressou um forte cinismo e hostilidade em relação à pessoas que ele chamava de "crentes" e compartilhava do pessimismo de Freud em relação a vida. Quando tinha trinta e três anos, já um membro popular de Oxford, Lewis experimentou uma profunda e radical mudança em sua vida e em seu pensamento. Ele rejeitou a cosmovisão materialista e ateísta e abraçou uma forte fé em Deus e em Jesus Cristo. Essa conversão de uma cosmovisão para outra começou uma fonte inesgotável de livros acadêmicos e populares que influenciaram milhões de pessoas.

Na segunda parte de Quando Cosmovisões Colidem, o Dr. Armand Nicholi discute as visões de C.S. Lewis sobre a vida, a dor e a morte. Aguardem...

Traduzido do original, disponível em: http://www.leaderu.com/real/ri9801/nicholi.html

domingo, 24 de janeiro de 2010

LAMENTO - A fé em meio ao sofrimento e à morte


Nicholas Wolterstorff
















"Talvez uma ou duas vezes por ano alguém leia um livro tão emocionante e essencial a ponto de recomendá-lo aos amigos. Simples e profundo, Lamento é um desses livros."
— Christianity Today


Esse é o livro de um Professor de Filosofia que perdeu seu filho em um acidente , quando o mesmo fazia uma escalada, esperte que praticava.
Confesso que procurei ao ler esse livro, um pouco daquilo que mais anseio , ou seja, coragem. Ouvi dizer que se tratava de um livro forte e desafiador , e por isso mesmo comprei-o para que pudesse ver se continha o que a muito tempo Busco.
Lamento é um livro diferente, mas apesar de tudo, verdadeiro, e desafiante. Não vejo nele amargura , ou falta de bom senso , ainda que podemos ouvir os gritos e sussurros do autor quando recebe a noticia da morte de seu filho. Talvez esse livro seja a reação de alguém com pura comunhão com Deus, pois vemos alem das questões existenciais, um pai que encontra descanso em Deus.
O livro tem apenas 110 paginas, e tenho certeza que será leitura para uma tarde de reflexão pura sobre a vida, e nossa vida com Deus.
Vi coragem em Nicholas Wolterstorff , e confesso a todos que me sinto infinitamente fraco diante dessas questões ainda sem respostas..

Por Eduardo Vaz

Da revista ultimato

Lamento... lamentos... quem não os tem? Eles podem ter nome de Eric, de André, de Gustavo... ou podem ser inomináveis. Mas estão sempre presentes em nossas frágeis histórias de vida. É preciso coragem para identificá-los, pranteá-los de diferentes formas, reparti-los com aqueles de alma sensível e submetê-los a Deus para continuar a caminhada.

Lamento é, em certo sentido, uma narrativa de acontecimentos: desde o terrível telefonema numa ensolarada tarde de domingo, falando da morte do filho, até a visita ao seu túmulo um ano depois. Mas é, ao mesmo tempo, bem mais que uma narrativa.
Cada evento é uma oportunidade para lembrar, meditar, se angustiar como Jó, na luta para aceitar e entender. Não há uma divisão em capítulos ou tópicos, mas um encadeamento de experiências e emoções, narradas com sutileza em textos curtos, que podem ser lidos em seqüência ou isoladamente.

Seu referencial não poderia ser outro senão a mais genuína espiritualidade cristã. Os textos bíblicos aparecem de forma inovadora. Cada página se transforma num salmo em que cabem expressões de tremenda humanidade, ao lado de manifestações da mais profunda fé.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Impellitteri - Wicked Maiden

















Como um casamento, eu to mais que convencido que musicalmente Chris Impellitteri e Rob Rock nasceram um para o outro. Se por um lado Rob Rock vinha lançando álbuns fantásticos na carreira solo, Chris empurrava sua banda clássica para o mais fundo posso musical, apostando em uma mistura nada legal de hard rock com pegadas New metal a lá Korn. Mas para mim, um fã de carteirinha do Impellitteri band, ver a dupla fantástica novamente junta é uma maravilha, e só com essa volta percebemos que Rob Rock mesmo tendo sucesso na carreira solo parece se dar bem mesmo é com o seu colega das antigas. Confesso que ao receber as musicas do novo cd fiquei com medo de ouvir péssimas musicas, mas para minha total surpresa “Wicked Maiden”é um álbum que pode ser considerado outra obra prima da banda. Ate parecia que a dupla de aço não tinha ficado separada tanto tempo.
Em si, “Wicked Maiden” prima por um Hard Heavy pesado e com guitarras alucinadas, sempre acompanhado de um time fortíssimo e da voz afinadíssima do Mr.Rob Rock.

Por Eduardo Vaz

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Filósofo Antony Flew Comenta Sobre o Livro "Deus, um Delírio" de Richard Dawkins


No dia 01 de Novembro de 2007, o novo livro de Antony Flew Deus Existe foi publicado pela editora HarperOne (lançado no Brasil pela Ediouro em 2008). Professor Flew já foi chamado de “o filósofo ateu mais influente do mundo”, bem como “um dos mais renomados ateístas do século XX”. Em seu livro, Antony Flew relata como ele passou a acreditar em um Deus Criador a partir da evidência científica e do argumento filosófico.

Como era de se esperar, seu livro causou um grande rebuliço – como pode ser observado nas resenhas dos leitores no site Amazon. Alguns destes comentários (e outros presentes em outras fontes) sugerem que Antony Flew foi usado pelo co-autor do livro, Roy Varghese, e que Flew não sabia de fato o conteúdo que estava no livro. Esta é uma acusação muito séria para a qual o Professor Flew respondeu e reiterou em uma carta recente (4 de Junho de 2008) a uma amigo da UCCF que nos mostrou-a. Professor Flew escreve:


Eu já refuto estas criticas com a seguinte afirmação: “Meu nome está no livro e ele representa exatamente minhas opiniões. Eu não colocaria meu nome em um livro cujo conteúdo eu não concordasse 100%. Eu precisei de alguém para escrevê-lo, pois eu estou com 84 anos e esta foi a tarefa de Roy Varghese. A idéia de que alguém me manipulou porque eu estou velho está completamente errada. Eu posso estar velho, mas é difícil me manipular. Este é meu livro e ele representa meu pensamento”.

Recentemente Professor Flew escreveu suas opiniões sobre o livro de Richard Dawkins Deus, um Delírio. Seu artigo, reproduzido abaixo, mostra as razões-chave do Professor Flew para sua crença na Inteligência Divina. Ele também deixou claro em Deus Existe que é possível a um ser onipotente escolher se revelar ao ser humano, ou agir no mundo de outras maneiras. O artigo do Professor Flew é mostrado aqui como um testemunho do desenvolvimento do raciocínio de alguém que está preparado para considerar a evidência e seguir suas implicações – aonde quer que elas o conduzam.

Sobre Deus, um Delírio, Professor Antony Flew escreve:

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Deus, um Delírio, do escritor ateu Richard Dawkins, é notável em primeiro lugar por ter alcançado alguns recordes, vendendo mais de um milhão de cópias. Mas o que é muito mais notável que este alcance financeiro do livro é que seu conteúdo – ou melhor, a falta de conteúdo – mostra que o próprio Dawkins se tornou aquilo que ele e seus amigos secularistas consideram tipicamente ser uma impossibilidade: um fundamentalista secular. (Minha cópia do Dicionário de Oxford define “fundamentalista” como “um obstinado ou um partidário intolerante de um ponto de vista”).

A falha de Dawkins como acadêmico (o que ele ainda era durante o período em que ele escreveu este livro, embora ele já tivesse anunciado sua intenção de se aposentar) foi sua escandalosa e aparentemente deliberada recusa em apresentar a doutrina que ele parece acreditar que refutou em sua forma mais forte. Assim, nós encontramos no índice remissivo do livro cinco referências a Einstein: a máscara de Einstein; Einstein sobre a moralidade; sobre um Deus pessoal; sobre o propósito da vida (a situação humana e sobre como o homem se importa com os demais, principalmente para com aqueles dos quais sua própria felicidade depende); e finalmente sobre as opiniões religiosas de Einstein. Mas (eu acho difícil escrever com moderação sobre esta obscura recusa por parte de Dawkins) ele não faz nenhuma menção ao relato mais importante de Einstein: a saber, que a complexidade integrada do mundo da física o levou a acreditar que é necessário haver uma Inteligência Divina por traz de tudo isto. (Eu particularmente penso que é óbvio que se este argumento é aplicável ao mundo da física, então ele deve ser imensamente mais poderoso se aplicado ao imensuravelmente mais complicado mundo da biologia).

Na página 118, Deus, um delírio é notável. Assim diz: “Talvez estejamos observando algo semelhante hoje em dia nas trombeteadas tergiversações do filósofo Antony Flew, que anunciou, já idoso, ter sido convertido à crença em algum tipo de divindade (desencadeando um frenesi de repetições em toda a internet)”.

O importante nesta passagem não é o que Dawkins está dizendo sobre Flew, mas o que ela está dizendo sobre o próprio Dawkins. Porque se ele tivesse tido qualquer interesse na verdade sobre o assunto que ele estava tratando [a conversão de Flew, N.T.], certamente ele teria me escrito uma carta com suas questões. (Quando eu recebi uma torrente de questionamentos depois de minha conversão ao Deísmo ser relatada na publicação trimestral do Royal Institute of Philosophy eu respondi – acredito – todas as cartas).

Tudo isto nos mostra que Dawkins não está interessado na verdade, antes, está primeiramente preocupado em desacreditar um oponente ideológico por quaisquer meios disponíveis. Isto por si só constituiria razão suficiente para eu suspeitar que todo o empreendimento de Deus, um delírio não é, como pelo menos pretende ser, uma tentativa de explorar e propagar o conhecimento sobre a existência ou a não-existência de Deus, antes, é uma tentativa – de extremo sucesso – de propagar as próprias convicções do autor nesta área.

Um ponto menos importante que precisa ser citado nesta resenha é que embora o índice remissivo de Deus, um delírio aponte seis referências ao Deísmo, a obra não provê nenhuma definição deste termo. Isto permite que Dawkins, em suas referências ao Deísmo, sugira que os deístas são uma miscelânea de crentes nisto ou naquilo. A verdade, que Dawkins deveria ter aprendido antes que este livro fosse enviado para as gráficas, é que os deístas acreditam na existência de Deus, mas não o Deus de qualquer revelação. Na verdade, a primeira aparição pública notória da noção de Deísmo foi na revolução americana. O jovem rapaz que rascunhou a Declaração da Independência e que depois se tornou o presidente Jefferson era um deísta, assim como era um grande número dos pais fundadores desta importantíssima instituição, os Estados Unidos da América.

Nesta desnaturada nota de rodapé daquilo que eu estou inclinado a descrever como um livro desnaturado – Deus, um delírio –, Dawkins me censura por aquilo que ele chama de “decisão ignominiosa” de aceitar, em 2006, o “Prêmio Phillip E. Johnson para a Liberdade e a Verdade”. O prêmio é concedido pelo Instituto BIOLA, The Bible Institute of Los Angeles. Dawkins não é sincero em dizer que sua objeção à minha decisão repousa unicamente no fato de BIOLA ser uma instituição especificamente cristã. Ele obviamente assume (mas se abstém de dizê-lo abertamente) que isto [o fato da instituição Biola ser confessadamente cristã, N.T.] é incompatível com a produção de trabalhos acadêmicos de primeira classe em qualquer departamento – não uma tese que seria aceitável em minha própria universidade, ou Oxford ou Havard.

Durante o meu tempo em Oxford, durante os dias que sucederam à segunda guerra, Gilbert Ryle (então Professor Waynflete de Filosofia Metafísica na Universidade de Oxford) publicou um livro muito influente chamado The Concept of Mind [O Conceito da Mente]. Este livro insinuou, apenas insinuou, que mentes não são o tipo de entidades sobre as quais se pode coerentemente dizer que vão sobreviver à morte.

Ryle se sentiu responsável pela perseguição ao ensinamento filosófico e à publicação de descobertas de pesquisa filosófica na universidade e ele sabia, naquele tempo, que haveria um alvoroço se ele publicasse suas próprias conclusões de que a idéia de uma segunda vida, após a morte, era autocontraditória e incoerente. Ele ficou contente por eu fazer isto algum tempo depois e em outro lugar. Eu disse a ele que se eu fosse alguma vez convidado a escrever para a Gilfford Lecture Series, meu assunto seria “A Lógica da Mortalidade”. Quando fui convidado eu escrevi e tudo foi publicado pela Blackwell (Oxford) em 1987. Ainda está sendo impressa pela Prometheus Books (Amherst, NY).

Finalmente, sobre a sugestão de que eu estou sendo usado pela Universidade BIOLA. Se a maneira pela qual eu fui convidado pelos estudantes e pelos membros da faculdade que eu conheci durante o curto tempo que eu permaneci na BIOLA equivale a ser “usado”, então eu apenas posso expressar minha mágoa por não poder racionalmente esperar que aos 85 anos eu possa fazer outra visita a esta instituição.

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Antony Flew foi um dos filósofos ateus mais influentes do século XX. Em 2004, ele anunciou que passara a acreditar em Deus. Segundo suas palavras, ele se tornou deísta, porém, também nas palavras de Flew, "o cristianismo é a religião que mais claramente merece ser honrada e respeitada, quer seja verdade ou não sua afirmação de que é uma revelação divina. Não há nada como a combinação da figura carismática de Jesus com o intelectual de primeira classe que foi São Paulo. Praticamente todo o argumento sobre o conteúdo da religião foi produzido por São Paulo, que tinha um raciocínio filosófico brilhante e era capaz de falar e escrever em todas as línguas relevantes".

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Para o texto original em inglês, clique aqui.

Tradução e Adaptação por: Eliel Vieira
eliel@elielvieira.org

domingo, 3 de janeiro de 2010

É possível fazer alguém amá-lo, mesmo sendo o Todo-Poderoso?



Tradução: Marcela Totolo













Pergunta: Será que é possível fazer alguém amá-lo, mesmo sendo o Todo-Poderoso?

Realmente são precisos dois para dançar o tango (ou para ter uma relação de amor)?

Andrew

Dr. William Lane Craig responde:

Sua pergunta aguçou meu interesse, Andrew, pois neste ultimo ano Jen e eu estivemos freqüentando aulas de dança de salão e, entre os diferentes estilos, aprendemos tango! Inicialmente, nos matriculamos porque nosso filho John estava se casando no verão. Particularmente, me apaixonei pela dança de salão, pois é divertidíssimo. Embora eu seja completamente descoordenado – e eu falo sério; algumas danças, como rumba, por exemplo, exigem que o dançarino coordene movimentos de mãos, braços, peito, quadris, pernas e pés – eu aprecio desafios e estou realmente determinado a aprender a dançar todos estes diferentes estilos.

Dominar estes estilos de dança requer prática, assim eu passo algum tempo sozinho, praticando os passos com uma parceira imaginária. Eu descobri que eu podia aprender, e a dizer cada passo do tango mesmo sem uma parceira presente, apenas fazendo de conta que ela estava comigo fazendo seus próprios movimentos comigo. Isto me mostrou que necessariamente, eu não precisava de uma parceira para dançar tango, mesmo que seja muito mais interessante tendo uma parceira.

Mas descobri que esta estratégia tem uma desvantagem enorme. Embora seja verdade que você pode aprender os passos de tango sozinho, não acaba aí. O homem é quem guia a parceira durante a dança, durante cada um dos intrincados passos. Isto requer que sutilmente as mãos e os braços pressionem a parceira, orientando-a durante os passos. E isto é algo que você não aprende com uma parceira imaginária. Assim, quando danço com Jen, sei que minha maior fraqueza é que eu não a guio corretamente, e ela não sabe com segurança qual é o próximo passo. Isso pode resultar em pés doloridos!

E foi então que eu percebi que são necessárias duas pessoas para dançar o tango, especialmente se quiser dançar bem.

Da mesma forma, para que se tenha um relacionamento amoroso genuíno as duas partes precisam cooperar. É impossível obrigar alguém a fazer algo por livre e espontânea vontade. Se você impõe, a outra pessoa não o faz por livre e espontânea vontade, pois a escolha não foi dela, mas do outro. Acrescentamos que o verdadeiro amor deve ser dado livremente. (Lembre-se da historia de Pinocchio: Geppetto poderia ter criado sua marionete, movido sua boa e dito “papai, eu te amo”, mas Geppetto queria um filho de verdade, não uma simples marionete, mesmo que isto significasse a possibilidade de uma rebelião posteriormente). Assim, um relacionamento amoroso verdadeiro pressupõe liberdade de ambos em dar e receber amor.

Mesmo o Todo Poderoso não pode fazer o que é logicamente impossível. Deus poderia produzir algum tipo de reação química em nossos cérebros para que tivéssemos reações e comportamentos que poderiam ser descritos como amor com relação a Ele, mas isto seria um falso amor, seria como tratar com uma marionete. Para ter um relacionamento amoroso genuíno conosco, Deus necessita criar a possibilidade de uma rebelião. É claro que isto não significa que Aquele que ama é impotente e incapaz de conquistar o amor do outro. Quem ama de verdade não fica passivo, mas busca maneiras de conquistar a afeição do ser amado. Pode tentar aprender sua “linguagem de amor”, suas preferências, as coisas que não gosta e agir a partir destas informações. De fato, ele passaria pela fase de “se eu fizer X, ela reagirá de forma Y. Ele tentará pensar em todas as estratégias e circunstancias em que o ser amado livremente responderia com amor.

Nós podemos fazer apenas julgamentos falíveis e prováveis com respeito à verdade destas condicionais subjuntivas. Algumas vezes percebemos que tivemos erros de calculo de proporções desastrosas, quando o outro reage de maneira tão diferente daquela esperada. Mas no caso de Deus – se Deus, como creio, possui o conhecimento médio (middle knowledge) – Ele sabe com certeza em quais circunstâncias uma pessoa o amaria ou não livremente em resposta às suas iniciativas. Deus não pode fazer com que você o ame, mas Ele pode fazer algo ainda maior, que é proporcionar circunstancias em que você por sua livre vontade dê a Ele o seu amor.

Agora, a questão óbvia é “por que Deus não ordena ao mundo que todos devem livremente amá-lO?”. Este é essencialmente o problema do mal (moral) e sua versão soteriológica que já contemplei em outros artigos veja: (“O problema do mal” e “Como Cristo pode ser o Único Caminho para Deus?”). Em resumo, a resposta é que Deus não poderia criar um mundo de pessoas livres (sem gerar desvantagens excessivas) em que todos escolhessem livremente amá-lO. Não é suficiente que existam circunstâncias em que cada pessoa venha a amar livremente a Deus; estas circunstâncias devem ser compossíveis, e isso pode não ser factível. Deus ainda estende graça suficiente sobre todas as pessoas que ele criou, de modo que ela possa vir a amá-lO e ter um relacionamento de amor com Ele, mas ainda assim, algumas pessoas são inexoráveis e O rejeitam.

Portanto, no caso de Deus, também são necessários dois para dançar o tango e, se uma parte se recusa a dançar, nada acontece.

O artigo original em inglês está em www.reasonablefaith.org

sábado, 2 de janeiro de 2010

William Lane Craig responde: Deus é Verdadeiramente Infinito?





Por Eliel Vieira : www.elielvieira.org
Questão 1: Prezado Sr. Craig,

Como sempre estou debatendo e defendendo o Kalam[1], eu sempre refuto a possibilidade de um passado eterno para o universo simplesmente explanando a diferença entre infinitos reais e potenciais. Agora, é muito simples provar a não existência de infinitos reais, mas com isto surge a questão “como Deus pode ser infinito se infinitos reais não existem?”. Eu tento dar o meu melhor para responder a esta questão, mas a resposta nunca sai tão boa quanto a maneira como gostaria que ela saísse. Eu geralmente digo que infinitos reais não existem no mundo físico; Deus é verdadeiramente infinito, mas Ele transcende o universo físico e não está limitado a espaço ou circunstâncias. Qualquer resposta será grandemente valiosa.

Russ.

Questão 2: Se infinitos reais não existem, como você argumenta, você discorda de que Deus conhece um número infinito de coisas?

Obviamente existe um imensurável, mas finito, número de coisas no universo a se conhecer, mas e sobre Seus próprios pensamentos? Não existiria um número infinito de pensamentos na mente da Trindade?

Alan


Dr. Craig responde:

Eu responderia sua questão de forma diferente, Russ. Alguma coisa ser ou não física parece, em minha opinião, ser irrelevante ao fato de que sua quantidade está entre os valores que podem ser numerados ou contados. Assim é, por exemplo, perfeitamente inteligível perguntar se existem um verdadeiro número infinito de anjos ou um número infinito de almas. As coisas não precisam ser físicas para poderem ser contadas. (Matematicamente, existem também alguns infinitos não numeráveis, mas estes casos não se enquadram ao caso aqui).

Antes, a chave para sua questão é entender que a noção matemática de um infinito real é uma concepção quantitativa. Trata-se de uma coleção de elementos precisos e discretos que são membros de uma coleção. Mas quando teólogos falam sobre Deus ser infinito, eles não estão tratando a palavra no sentido matemático, se referindo a um conjunto de infinitos números de elementos. A infinidade de Deus é, antes, qualitativa, e não quantitativa. Isto significa que Deus é metafisicamente necessário, moralmente perfeito, onipotente, onisciente, eterno, etc.

Na verdade “infinito” é apenas um “termo guarda-chuva” usado para cobrir todos os atributos superlativos de Deus. Se você retirar a abstração de todos os atributos, então não haverá nenhum atributo chamado “infinidade”. Nenhum dos atributos de Deus precisa envolver um número infinito de coisas. Para dar um exemplo, Alan, a onisciência não precisa implicar o conhecimento de um número infinito de, digamos, proposições, muito menos ter um número infinito de pensamentos; também não precisamos nós pensar que a onipotência implica a habilidade de realizar de um número infinito de ações[2]. Quando nós definimos onisciência como um conhecimento de todas as proposições verdadeiras, nós estamos expressando a amplitude do conhecimento de Deus, não o seu modo. O modo do conhecimento de Deus tem sido concebido tradicionalmente como não-proposicional na natureza. Deus tem uma intuição singular e não-dividida da realidade, o que nós – conhecedores finitos – fragmentamos em bits individuais de informação, chamadas “proposições”. Assim, o número de proposições é potencialmente infinito, na melhor das hipóteses. Similarmente, onipotência não é definida em termos da quantidade de poder possuído por Deus ou pelo número de ações que Deus pode realizar, mas em termos de Sua capacidade de realizar estados de afazeres. Como tal, a onipotência não envolve nenhum comprometimento com um infinito de real de coisas. Portanto, não há nenhuma razão para pensar que Deus é suscetível ao tipo de análise quantitativa imaginada pelos opositores.

Assim, negar que Deus é infinito no sentido quantitativo do termo de maneira algum implica que Deus é finito. Esta inferência non sequitur[3], uma vez que o senso quantitativo de infinidade pode simplesmente ser não aplicável a Deus.

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Notas

[1] – “Argumento Cosmológico Kalam”. Argumento que busca inferir a existência de Deus como causa explicativa para o início do universo. [Nota do tradutor]
[2] – William Alston, “Does God Have Beliefs?” Religious Studies 22 (1986): 287-306; Thomas P. Flint and Alfred J. Freddoso, “Maximal Power,” in The Existence and Nature of God, ed. Alfred J. Freddoso (Notre Dame: University of Notre Dame Press, 1983), pp. 81-113.
[3] - Expressão latina que significa "não segue". É utilizada para denominar conclusões que não seguem às premissas apresentadas. [Nota do tradutor]

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Definição de Ateísmo - por willian lane craig


Tradução: Marcela Totolo - fonte : www.apologia.com.br

Em minhas discussões com ateus, eles argumentam que “não possuem crença em Deus”. Argumentam que isto é diferente de dizer que não acreditam em Deus ou de afirmar que Deus não existe. Não estou certo da melhor forma de responder a esta questão. A mim, parece que estão fazendo um jogo tolo de palavras que, na verdade, têm o mesmo significado – eles não crêem em Deus. Qual seria uma boa resposta a esta questão? Obrigado,

Steven.

Dr. William Lane Craig responde:

Seus amigos ateus estão certos no sentido em que há uma importante diferença lógica entre crer que Deus não existe e não possuir a crença de que Deus existe. Basta você comparar com esta minha alegação: “Eu acredito que não existe ouro em Marte” e a outra: “Eu não tenho a crença de que haja ouro em Marte”. Se eu não tenho uma opinião formada acerca do assunto, eu não possuo a crença de que exista ouro em Marte e também não possuo a crença de que não exista. Há uma certa diferença entre dizer “eu não tenho crença em (p)” e “eu creio em (não-p). Na lógica, o lugar onde se coloca a negação faz um mundo de diferença.

Mas o erro de seus amigos ateus está em afirmar que o ateísmo apenas implica em não possuir a crença de que Deus existe, em vez de crer que Deus não existe.

Há uma história por trás disto tudo. Certos ateus na metade do século XX promoveram a chamada “presunção do ateísmo”. Em primeira instância, esta seria a afirmação de que na falta de evidências para a existência de Deus, deve-se presumir que ele não existe. Assim, o ateísmo seria uma espécie de posição padrão, e os teístas teriam um ônus especial da prova com relação à crença de que Deus existe.

Esclarecido isto, percebemos que a alegada presunção por parte dos ateus é um erro, evidentemente. Pois a asserção de que “não há Deus” é uma afirmação de posse de conhecimento assim como a asserção de que “Deus existe”. Conseqüentemente, a primeira afirmação requer justificação assim como a última. Na verdade, são os agnósticos os que declaram não ter nenhuma posse do conhecimento a respeito da existência de Deus. Eles são os que dizem que não sabem se há ou não Deus.

Mas observando mais atentamente o uso do termo ateu pelos adeptos da presunção do ateísmo, você percebe que eles definem este termo de uma maneira que não é usual, de forma a torná-lo sinônimo de não-teísta. Deste modo, o termo pode abranger os agnósticos tanto quanto os ateus propriamente ditos, além daqueles que pensam que tal questão é sem sentido (verificacionistas). De acordo com Anthony Flew,

A palavra ateu deve ser construída, no presente contexto, de maneira não usual. Atualmente esta palavra é normalmente utilizada para se referir a alguém que explicitamente nega a existência… de Deus… mas aqui, ela deve ser entendida não positivamente, mas negativamente, pela utilização do prefixo grego “a-“ de ateu, de maneira similar como em… palavras como ‘amoral’…, por exemplo. Deste modo, o ateu não é alguém que afirma positivamente a não existência de Deus, mas alguém que simplesmente não é um teísta. (A Companion to Philosophy of Religion, ed. Philip Quinn and Charles Taliaferro [Oxford: Blackwell, 1997], s.v. “The Presumption of Atheism,” por Antony Flew)

Tal redefinição do termo ateu torna trivial a afirmação da presunção do ateísmo, pois, nesta definição, o ateísmo deixa de ser uma posição. Ela se torna apenas um estado psicológico compartilhado por um grupo de pessoas com diferentes visões sobre diferentes questões, ou que não têm visão nenhuma acerca de nada. De acordo com esta redefinição, até mesmo os bebês, que não têm opinião formada acerca de coisa alguma, são considerados ateus! Na verdade, até minha gata, Muffs, pode ser considerada ateísta, já que ela (até onde sei) não possui crença em Deus.

Continuaria sendo necessário uma justificação para se possuir o conhecimento de que Deus existe ou não, e este é o ponto em que estamos interessados.

E talvez você esteja imaginando por que os ateus estariam tão ansiosos para trivializar suas posições? Concordo com você em que há um jogo de engano sendo jogado por muitos ateus. Se o ateísmo fosse tomado como a posição de que Deus não existe, os ateus teriam que suportar o ônus da prova para justificar tal posição. Mas muitos ateus admitem abertamente que eles não podem suportar tal ônus. Por isso, eles tentam evitar esta responsabilidade epistemológica ao redefinir o ateísmo de modo a torná-lo não mais uma posição, mas apenas uma condição psicológica, que, como tal, não faz asserções. Na verdade, eles são agnósticos enrustidos, que desejam apresentar-se como ateus sem responder pelas suas responsabilidades.

Isto é hipocrisia, e ainda não nos responde a questão “Existe Deus ou não?”

Nota do webmaster: Para conhecer alguns argumentos em favor da existência de Deus, visite a seção Deus existe?

O artigo original pode ser encontrado em www.reasonablefaith.org

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A fé em tempos pós modernos - Charles Colson e Harold Fickett


Esse livro é uma análise apurada das conseqüências do secularismo á ortodoxia cristã. “Este livro se lê como um romance e causa o impacto de uma marreta — possivelmente, trata-se do livro mais importante que Colson já escreveu.” — Bill Hybells, pastor titular da Igreja Willow Creek e autor de Liderança corajosa e Axiomas, entre outros, publicados por Editora Vida. E surpreendente o alerta que traz aos que como nós querem viver uma vida relevante e autentica em tempos onde a fé que foi delegada aos santos sofre ataques de todos os lados.
Como disse o escritor Rick Warren : Verdade, o cristianismo bíblico muitas vezes sofre distorções pela mídia, abuso por políticos, e ensino errado por acadêmicos, o que o leva a ser mal-entendido pela maioria dos norte-americanos. Todos se beneficiarão da leitura deste livro — céticos, interessados, cristãos recém-convertidos, cristãos de longa data. É um resumo claro, conciso e desafiador daquilo em que os seguidores de Jesus de fato creem.”
Um livro que veio para nos abrir os olhos ...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Instituto Faraday lança documentário sobre religião e ciência


Não é de hoje que os líderes cristãos envolvidos com a integração entre fé e academia procuram subsídios pedagógicos realmente úteis -- que não pequem por amadorismo acadêmico ou de qualidade da produção.

Pois a resposta às orações de muita gente está chegando: o Instituto Faraday para Ciência e Religião está finalizando um programa especial de educação em religião e ciência para igrejas, que será lançado em 1º de julho deste ano. O programa, batizado de “Test of Faith: Resources for Churches from the Faraday Institute for Science and Religion” (O Teste da Fé: Recursos para Igrejas do Instituto Faraday de Ciência e Religião) visa prover igrejas e ministérios envolvidos com o trabalho acadêmico com vídeos e textos de alto nível e ampla acessibilidade.

Prêmio internacional
O filme já foi exibido para públicos restritos. Em 16 de março foi apresentado no Festival de Ciências de Cambridge, e noticiado em vários órgãos, como o Daily Telegraph. E já foi premiado antes mesmo do lançamento oficial: ganhou a prata como o melhor documentário do ano pela International Visual Communications Association.

O documentário será lançado oficialmente em julho, mas tive acesso antecipado ao filme, que terá legendas em português (além de francês, russo, espanhol, chinês, e dublagem em árabe e farsi). Assim, não poderia deixar de dar uma “canja” aos leitores.

Quem fez
O projeto foi concebido e dirigido pela geneticista Ruth Bancewicz, pesquisadora associada do Instituto Faraday desde a fundação, em 2006, com o apoio de James Crocker. O Faraday recebeu um financiamento especial de 1.901.068 dólares da John Templeton Foundation para desenvolver o projeto em parceria com a Contrapositive New Media.

Várias sumidades no campo das ciências e da teologia foram convidadas para as entrevistas, incluindo o físico-matemático de Cambridge e pastor anglicano John Polkinghorne, o físico Ard Louis, de Oxford, o neurocientista Bill Newsome, o teólogo Alister McGrath, o diretor do projeto Genoma Humano, Francis Collins e o historiador da ciência Peter Harrison, entre outros. O terceiro documentário tem a participação do biólogo molecular John Bryant -- muitos gostarão de saber o que ele me disse numa conversa informal: foi o encontro com Francis Schaeffer no L’Abri que salvou sua fé.

Os documentários
O programa é centralizado em três documentários que abordam as três frentes nas quais o debate sobre religião e ciência é mais intenso: a cosmologia, a biologia evolucionária e as neurociências.

No primeiro deles é apresentada uma exposição muito didática do conceito de “ajuste-fino cósmico” (fine-tunning), ou seja, a ideia de que o universo apresenta uma série de características singulares e surpreendentes que indicam a existência de um propósito e uma mente divina. O fenômeno do ajuste-fino cosmológico é a principal evidência para o que foi denominado “princípio cosmológico antrópico” -- o universo foi projetado para que enfim o ser humano viesse à existência. O documentário discute ainda o status da noção de “multiverso”, uma das saídas procuradas por cosmologistas não-cristãos para escapar das implicações do princípio antrópico.

O segundo documentário trata do problema da evolução biológica. A crítica ao criacionismo da terra jovem e ao Design Inteligente é respeitosa, mas incisiva. O roteiro apresenta uma defesa da compatibilidade essencial entre a ideia cristã de criação e a teoria da evolução. E o grande argumento em defesa da posição evolucionista teísta é a descoberta de Simon Conway Morris, paleobiólogo de Cambridge, de que o fenômeno da convergência evolucionária -- espécies separadas desenvolvendo características estruturalmente idênticas ou quase -- é muito mais extenso e capilar do que se imaginava.

Morris e outros relacionam esse fato ao argumento cosmológico antrópico, sugerindo que a teoria da evolução, corretamente interpretada, não seria evidência de que a vida surge “por acaso”. Antes, o mecanismo evolucionário seria na verdade um processo muitíssimo mais complexo e ainda insuficientemente compreendido de produzir complexidade. Ou seja: haveria evidência empírica de que a evolução foi dirigida por Deus. O segundo filme trata ainda do problema do mal, do aquecimento global e da vocação cristã de cuidar do planeta terra.

O terceiro documentário foca a questão da personalidade humana, no contexto das neurociências: seria possível, como alguns neurocientistas vêm alegando, que a personalidade, a consciência -- tudo aquilo que costumávamos chamar de “alma” -- seja meramente uma projeção de nosso cérebro físico, um epifenômeno? Vários cientistas cristãos são convocados para explicar por que essa alegação é gratuita: na verdade, cada movimento da personalidade humana tem uma contraparte neurológica, mas isso não prova que a personalidade seja uma ilusão, que o real seja apenas a química cerebral. Somos seres profundamente corporais, mas a mente é uma realidade emergente que transcende ao cérebro, e que é capaz de provocar mudanças reais no mundo físico. E porque nossas personalidades são reais, as questões de valores éticos também são reais, irredutíveis e insolúveis do ponto de vista da ciência do cérebro.
Além dos três filmes principais, os diretores produziram três sequências “bônus” com entrevistas com cientistas, teólogos e filósofos.

Materiais didáticos: O Brasil precisa!
Juntamente com os documentários a equipe desenvolveu um livro e outros materiais didáticos que serão lançados pela Paternoster na Inglaterra. Seria interessante se alguma editora brasileira manifestasse interesse pela tradução e publicação desses materiais de apoio no Brasil. Eles com certeza poderão ser úteis para a evangelização universitária e a educação cristã por essas terras, e carregarão consigo o peso de um documentário de alto nível.


• Guilherme Vilela Ribeiro de Carvalho, pastor da Igreja Esperança em Belo Horizonte, é obreiro de L’Abri no Brasil e presidente da Associação Kuyper para Estudos Transdisciplinares. É também organizador e autor de Cosmovisão Cristã e Transformação e membro da associação Christians in Science (CiS). guilhermedecarvalho.blogspot.com/